Atrações turísticas de Veneza: A Torre do Relógio

A Torre do Relógio em Veneza

O famoso Torre do Relógio de Veneza (Torre dell’Orologio) situa-se no lado norte da Praça de São Marcos, mesmo ao lado da Basílica de São Marcos. É um dos símbolos mais conhecidos da cidade da lagoa e um dos exemplos mais impressionantes da arquitetura renascentista veneziana.

O entre 1496 e 1499 A torre construída é famosa sobretudo pelo seu extraordinário relógio astronómico. Este não só indica as horas, como também as fases da Lua e a posição do Sol no zodíaco.

No topo da torre encontram-se duas grandes estátuas de bronze, as chamadas Os Moros de Veneza. Batem com os seus martelos num sino imponente, anunciando assim as horas de forma a que se ouçam a grande distância.

Outra característica distintiva é o mostrador artisticamente trabalhado, com as suas estrelas douradas sobre um fundo azul.

Através do grande portão situado por baixo da torre do relógio, chega-se diretamente da Praça de São Marcos à Merceria, uma das ruas comerciais mais tradicionais de Veneza, que conduz à Ponte de Rialto.

A Torre do Relógio é, portanto, muito mais do que um edifício histórico: ela combina, de uma forma única, Arquitetura, astronomia, tecnologia e história veneziana.

A ponta da torre do relógio – os dois mouros e o seu sino

A Torre do Relógio na Praça de São Marcos, em Veneza: os dois mouros

No topo da torre do relógio, espera o visitante um dos pontos turísticos mais famosos de Veneza: duas enormes figuras de bronze que batem com os seus martelos num imponente sino. Os venezianos chamam carinhosamente a estas figuras I Mori – os mouros. Há mais de 500 anos que fazem parte da imagem inconfundível da Praça de São Marcos.

Os dois mouros de Veneza – desde 1497 que marcam as horas

No topo da torre do relógio da Praça de São Marcos encontram-se duas figuras de bronze com cerca de 2,5 metros de altura. Entre elas está suspenso um grande sino, que elas batem com martelos poderosos. As figuras são conhecidas como Os dois mouros (I Mori) denominados. Na verdade, porém, representam dois pastores. Devem o seu nome à pátina escura da sua superfície de bronze.

O mouro velho e o mouro jovem

Quem observar as duas figuras com mais atenção descobre uma diferença interessante: Uma das figuras tem barba, a outra não. O mouro barbudo simboliza a velhice, enquanto o imberbe simboliza a juventude.

Também na forma como tocam o sino que se distinguem. O velho mouro toca as horas cerca de dois minutos antes da hora certa, enquanto o jovem mouro o faz cerca de dois minutos depois. Segundo a interpretação tradicional, o velho mouro simboliza assim o tempo já passado, enquanto o jovem mouro representa o futuro. Assim, um relógio aparentemente simples torna-se um símbolo da passagem inexorável do tempo.

Como é que as enormes estátuas de bronze se movem?

Os dois mouros não são estátuas comuns, mas sim figuras com movimento mecânico, os chamados autómatos. Os seus corpos possuem uma articulação à altura da cintura. Isso permite-lhes rodar a parte superior do corpo e bater com os seus martelos no sino. Esta construção já constituía, no final do século XV, um feito técnico notável.

Quem criou os dois negros?

As estátuas de bronze foram Fundido em 1497 por Ambrogio delle Ancore. Por outro lado, não está claramente estabelecido quem tenha esculpido originalmente as figuras. Na investigação em história da arte, são mencionados vários escultores. As figuras foram deliberadamente concebidas com formas corporais robustas e contornos marcantes. Graças a isso, são facilmente reconhecíveis mesmo a grande distância.

O grande sino entre os mouros

O sino também data do ano de 1497. Foi criada por um fundidor de sinos chamado Simeone, que deixou o seu nome numa inscrição no sino. Acima do sino encontram-se uma esfera dourada e uma cruz. Durante séculos, os toques do sino serviram às pessoas na Praça de São Marcos como uma indicação da hora, audível a grande distância.

Uma mudança no século XIX

Curiosamente, hoje em dia as figuras dos mouros já não se encontram exatamente à sua altura original. Durante obras de remodelação no topo da torre, no século XIX, as duas figuras, juntamente com o sino, foram elevadas cerca de um metro. Assim, a silhueta da torre do relógio sofreu uma ligeira alteração ao longo da sua longa história.

Uma dica para quem visita Veneza

Quem estiver na Praça de São Marcos não deve limitar-se a contemplar o famoso relógio astronómico, mas também deve olhar para o topo. É particularmente interessante prestar atenção às duas figuras de bronze pouco antes de se fazer a hora certa e observar os seus movimentos. Um espetáculo cuja origem remonta a mais de 500 anos.

O leão alado de São Marcos na torre do relógio.
O símbolo de Veneza perante um céu estrelado dourado

A Torre do Relógio na Praça de São Marcos, em Veneza: o Leão Alado

Mesmo por baixo dos dois mouros encontra-se um dos símbolos mais importantes de Veneza: o Leão alado de São Marcos (Leone di San Marco). O imponente leão encontra-se diante de um fundo azul-escuro, adornado com inúmeras estrelas douradas. Tem as asas abertas e uma pata dianteira apoiada num livro aberto.

Esta obra não é apenas uma magnífica peça de joalharia renascentista. É uma reminiscência do poder secular da República de Veneza, que se autodenominava La Serenissima – a Mais Ilustre – chamava.

Por que é que o leão é o símbolo de Veneza?

O leão é o símbolo tradicional do evangelista Marcos, o padroeiro de Veneza. Segundo a tradição cristã, aos quatro evangelistas estão associadas quatro criaturas aladas: Mateus é representado por um homem ou um anjo, Marcos por um leão, Lucas por um touro e João por uma águia.

Quando, no ano de 828, os mercadores venezianos trouxeram de Alexandria para Veneza os supostos restos mortais do evangelista Marcos, este tornou-se o principal santo padroeiro da cidade. O seu leão alado tornou-se o emblema oficial da República de Veneza. Até hoje, é possível encontrá-lo por toda a parte na cidade da lagoa: em colunas, em palácios, sobre arcadas, em igrejas e em bandeiras históricas.

O que significa o livro aberto?

O Leão de São Marcos, na torre do relógio, segura um livro aberto debaixo da pata dianteira. Em muitas representações do Leão de São Marcos, podem ler-se nele as palavras em latim:

PAX TIBI, MARCO, O EVANGELISTA, MEVS

Em alemão, isto significa:

Que a paz esteja contigo, Marcos, meu evangelista.

A frase remete para uma lenda veneziana, segundo a qual um anjo anunciou ao evangelista Marcos que, um dia, este encontraria o seu último repouso na lagoa. Afirma-se frequentemente que um livro aberto significa paz e um livro fechado, guerra. Embora esta interpretação seja muito difundida, historicamente não se sustenta como uma regra universalmente válida. O livro aberto remete, acima de tudo, para o evangelista e a sua mensagem cristã.

Por que é que o fundo é azul e está decorado com estrelas douradas?

O fundo azul escuro é um elemento de composição particularmente impressionante. As estrelas douradas contra o azul evocam o céu e conferem à representação um significado que transcende o terreno. Assim, o Leão de São Marcos não aparece simplesmente perante uma parede colorida, mas sim, por assim dizer, perante a abóbada celeste.

Esta combinação de azul e dourado era particularmente popular na arte veneziana. Encontra-se também em inúmeros mosaicos, igrejas e obras de arte religiosas da cidade. O azul remete para o céu e para o divino, enquanto o dourado remete para a luz, o brilho e a dignidade.

Na Torre do Relógio, isso resulta numa combinação particularmente impactante: o Leão de São Marcos personifica a identidade política de Veneza, enquanto o céu estrelado remete para uma ordem cósmica superior. Também o grande mostrador astronómico, situado por baixo do leão, retoma as cores azul e dourado. Assim, a fachada associa o poder da República à representação do céu e ao passar do tempo.

O Leão de São Marcos nem sempre esteve sozinho

Um pormenor histórico notável é hoje quase imperceptível. Originalmente, junto ao Leão de São Marcos, encontrava-se uma estátua do doge ajoelhado Agostino Barbarigo, que governou a República de Veneza entre 1486 e 1501. O doge era retratado perante o símbolo de São Marcos. Isto deixava claro que mesmo o homem mais poderoso da República se encontrava sob a proteção e a autoridade do padroeiro da cidade.

Quando Napoleão derrubou a República de Veneza em 1797, foram eliminados inúmeros símbolos do antigo regime. A representação na torre do relógio também não escapou a essa sorte. A estátua do duque foi destruída e o leão de São Marcos foi removido. Só no século XIX é que o leão voltou a ser colocado no seu lugar. A estátua do duque, por outro lado, não regressou.

O fundo azul também tem uma história

Também o desenho hoje visível não se conservou na íntegra desde o século XV. No século XVIII, o fundo original de cobre esmaltado de azul foi substituído por um mosaico. Em 1820, foram realizados novos trabalhos de restauro na superfície do mosaico azul. Durante a restauração abrangente da torre do relógio, entre 1996 e 2006, foram também restaurados os mosaicos e os elementos decorativos da fachada.

O que os visitantes vêem hoje é, portanto, o resultado de uma história com mais de 500 anos, marcada pela criação artística, pelas mudanças políticas e por restaurações meticulosas.

Um pormenor que merece uma segunda olhadela

Quem observar o Leão de São Marcos na Torre do Relógio não vê apenas o animal heráldico mais famoso de Veneza. Vê um símbolo da antiga república marítima, um testemunho da sua tradição cristã e uma obra de arte cuja história remonta à época da Renascença. O leão dourado contra o céu azul estrelado é um dos detalhes mais belos de toda a torre do relógio.

Por que razão há uma rede à frente do Leão de São Marcos?

Quem observar mais atentamente o Leão de São Marcos descobrirá uma fina rede de proteção à frente da representação histórica. Presume-se que sirva para manter os pombos e outras aves afastados desta valiosa obra de arte. Em particular, os excrementos das aves podem danificar as superfícies históricas sensíveis. A rede é, portanto, uma medida de proteção moderna que, no entanto, quase não se nota à distância.

O relógio digital na torre do relógio de Veneza
Tecnologia do século XIX

A Torre do Relógio na Praça de São Marcos, em Veneza: o primeiro relógio digital do mundo

Um relógio digital, muito antes de existir a eletrónica

Quem observar com mais atenção a torre do relógio na Praça de São Marcos descobrirá, acima do grande relógio astronómico, dois visores retangulares com números. Entre elas, num nicho ricamente decorado, encontra-se uma Madona dourada com o Menino Jesus. Os dois mostradores lembram surpreendentemente um relógio digital moderno. No entanto, por trás dos números visíveis não se esconde nenhum sistema eletrónico, mas sim um sofisticado sistema mecânico. Este relógio digital foi instalado já em 1858 – mais de um século antes da generalização dos relógios digitais eletrónicos.

O que significam os dois números apresentados?

O mostrador da esquerda indica as horas em algarismos romanos, por exemplo, VIII para as 8 horas ou XII para as 12 horas. O mostrador da direita indica os minutos em algarismos arábicos, ou seja, por exemplo, 05, 10, 15 ou 30. Uma particularidade: Os minutos não são apresentados individualmente, mas sim em intervalos de cinco minutos. Por isso, o ponteiro avança apenas doze vezes por hora. Desta forma, as pessoas na Praça de São Marcos podiam ler a hora de forma muito mais precisa e simples do que apenas com base no grande mostrador astronómico.

Como funciona o visor digital mecânico?

Por trás das duas janelas encontram-se dois grandes tambores giratórios, os chamados Tambure. Cada tambor possui doze painéis de indicação, cada um com cerca de 80 centímetros de altura e 50 centímetros de largura. No tambor da esquerda encontram-se os números romanos das horas e, no da direita, os números arábicos dos minutos. Um mecanismo de acionamento gira os tambores de forma a que o número correspondente apareça na respetiva janela.

O que torna isto especial é que não se trata de ponteiros que se movem sobre um mostrador, mas sim de campos numéricos que mudam. É precisamente este princípio que também conhecemos dos relógios mecânicos posteriores com números articulados e dos relógios digitais.

Quem inventou este anúncio extraordinário?

Os dois tambores numéricos foram fabricados no ano de 1858, de Luigi De Lucia construído e instalado. Naquela altura, o relógio histórico foi alvo de uma modernização abrangente. O novo visor tinha como objetivo permitir que as pessoas lessem a hora com maior precisão a partir da Praça de São Marcos. Esta construção conta-se entre os primeiros exemplos de um visor digital mecânico num relógio público.

A Nossa Senhora com o Menino Jesus

Entre os dois mostradores encontra-se uma representação dourada da Virgem Maria com o Menino Jesus. A Madona está sentada num trono, num nicho artisticamente decorado. Não se trata apenas de um elemento decorativo entre os dois mostradores. A sua posição tem um significado especial para a história da torre do relógio.

Já na inauguração do relógio, em 1499, a Madona fazia parte de um espetáculo mecânico extraordinário. Em determinados dias festivos, os Três Reis Magos, acompanhados por um anjo, desfilavam em procissão perante ela. As figuras curvavam-se perante a Madona com o Menino Jesus e, em seguida, voltavam a desaparecer no interior da torre.

Por que é que o visor digital substituiu os Três Reis Magos

Com a instalação dos dois tambores numéricos, em 1858, surgiu um problema técnico. Os novos tambores ocupavam exatamente o espaço de que as figuras móveis necessitavam para a sua procissão. Por isso, a procissão deixou de poder realizar-se regularmente. Foi desenvolvido um dispositivo que permite elevar e recuar os tambores em ocasiões especiais. Desta forma, o caminho fica novamente livre para as figuras.

Hoje em dia, este espetáculo histórico só pode ser assistido em dois dias festivos especiais: a 6 de janeiro, no Dia dos Três Reis, e na Festa da Ascensão de Cristo.

Um relógio que une duas épocas

As duas janelas numéricas e a Madona retratam, num espaço muito reduzido, dois capítulos distintos da história veneziana. A Madona e a procissão dos Três Reis Magos remetem para o Renascimento e para o relógio original de 1499. Por outro lado, o visor digital mecânico testemunha o progresso técnico do século XIX. Ambos os sistemas continuam, até hoje, a fazer parte da mesma torre do relógio extraordinária.

O que, à primeira vista, parece ser um simples visor numérico é, na realidade, um pedaço da história da tecnologia.

As informações técnicas sobre Luigi De Lucia, os tambores e os doze painéis informativos provêm da documentação oficial dos museus municipais de Veneza.

O relógio astronómico de Veneza
Uma obra-prima de 1499

A torre do relógio na Praça de São Marcos, em Veneza: o relógio astronómico

Chegámos agora ao verdadeiro coração da Torre do Relógio! E aqui vale especialmente a pena uma descrição pormenorizada. Pois o grande mostrador astronómico da Praça de São Marcos não é apenas um belo relógio histórico. É uma representação mecânica do céu, tal como as pessoas o compreendiam na época da Renascença.

O relógio astronómico da Praça de São Marcos – como se lê este mostrador extraordinário?

Com um diâmetro de cerca de 4,50 metros O mostrador astronómico é um dos elementos mais impressionantes da torre do relógio de Veneza. As suas superfícies de um azul brilhante, os signos do zodíaco dourados, os algarismos romanos e os corpos celestes móveis fazem dele uma obra de arte extraordinária.

No entanto, o mostrador é muito mais do que um relógio decorativo.

Apresenta, simultaneamente, várias informações astronómicas:

  • A hora atual num formato de 24 horas.
  • A posição do Sol no zodíaco.
  • A sucessão dos meses e dos dias ao longo do ano litúrgico.
  • O movimento da Lua.
  • A fase lunar atual.

Os diferentes indicadores são controlados por engrenagens interligadas e discos que rodam a velocidades diferentes. Desta forma, o movimento dos corpos celestes torna-se visível numa única superfície de grandes dimensões.

1. O anel exterior – por que é que o relógio tem 24 horas?

Na extremidade do mostrador encontra-se um anel fixo de mármore. Nele estão indicadas as horas com algarismos romanos, de I a XXIV. Enquanto a maioria dos relógios analógicos atuais indica apenas doze horas, o relógio astronómico de Veneza possui uma escala completa de 24 horas. Por isso, o ponteiro das horas só precisa de dar uma volta completa pelo mostrador uma vez por dia. Num relógio comum de doze horas, isto acontece duas vezes por dia. Este tipo de indicação do tempo tem uma longa tradição em Itália.

No sistema histórico italiano de horas, o chamado Minas Italianas, as horas eram originalmente contadas em relação ao pôr-do-sol. O início do novo dia orientava-se, assim, pela luz natural do dia. Isto difere consideravelmente do nosso sistema de contagem do tempo atual, em que o novo dia civil começa à meia-noite. Ao longo dos séculos, a medição do tempo e os ajustes do relógio foram-se alterando.

Por isso, é importante distinguir entre o sistema histórico italiano de contagem das horas e o atual sistema de 24 horas. Os algarismos romanos, por si só, não revelam qual o sistema de contagem utilizado numa determinada época.

2. O Zodíaco – doze signos do zodíaco em cobre dourado

No interior do anel das horas encontra-se um grande anel móvel com os doze signos do zodíaco.

Os signos do zodíaco não são representados apenas como simples símbolos. Trata-se de figuras tridimensionais, elaboradas com grande detalhe, em cobre dourado. Estão representados:

Signos do zodíacoNome latino
ÁriesÁries
TouroTouro
GémeosGémeos
CancroCâncer
LeãoLeo
VirgemVirgem
BalançaBalança
EscorpiãoEscorpião
SagitárioSagitário
CapricórnioCapricórnio
AquárioAquário
PeixesPeixes

Os signos do zodíaco formam o chamado zodíaco. O zodíaco é uma região do céu ao longo da eclíptica, ou seja, a órbita aparente pela qual o Sol se move ao longo de um ano, tendo as estrelas como pano de fundo. Como a Terra orbita em torno do Sol, este parece, quando observado da Terra, percorrer as doze regiões do Zodíaco ao longo do ano.

O relógio astronómico torna visível este movimento aparente. Além disso, os signos do zodíaco são obras de arte históricas de grande valor: datam ainda do desenho original do mostrador, no final do século XV.

3. Por que é que o anel do zodíaco gira?

O anel do zodíaco não está fixo à moldura de mármore. Faz parte das peças móveis do mostrador. À medida que o relógio se move, a sua posição em relação ao ponteiro solar e aos outros indicadores altera-se. Estes diferentes movimentos são necessários para representar simultaneamente dois fenómenos distintos: o movimento aparente diário do céu e a variação anual, mais lenta, da posição do Sol no zodíaco.

O ponto decisivo é a diferença de velocidade entre os anéis.

Aparentemente, o Sol demora um ano a percorrer todo o zodíaco. Ao mesmo tempo, porém, o relógio tem de indicar as horas todos os dias. Para que ambas as funções sejam possíveis num único mostrador, os mecanismos têm de ser sincronizados mecanicamente entre si. Esta é uma das realizações mais notáveis dos relojoeiros históricos.

4. O ponteiro do sol – um sol em vez de um ponteiro de relógio comum

O relógio não possui um ponteiro das horas simples e estreito, como os que conhecemos nos relógios de parede modernos. Em vez disso, um sol dourado, artisticamente trabalhado, com uma auréola de raios e uma longa extensão do ponteiro, serve para indicar as horas. A ponta do ponteiro aponta para o anel exterior com os algarismos romanos. O ponteiro do sol cumpre, simultaneamente, uma segunda função. A sua posição em relação ao anel do zodíaco indica em que secção do zodíaco se encontra o Sol nesse momento. Assim, um único componente mecânico combina duas informações:

A hora do dia e a posição anual do Sol.

Este é um exemplo particularmente ilustrativo de como os relojoeiros do Renascimento reproduziam mecanicamente os fenómenos astronómicos.

5. Os meses e os dias – um calendário no mostrador

Além dos signos do zodíaco, no anel móvel encontram-se também os nomes dos meses e os números dos dias. Assim, o mostrador astronómico torna-se, ao mesmo tempo, uma espécie de calendário. A posição do Sol em relação a estas marcações indica o avanço ao longo do ano. O ciclo anual e os signos do zodíaco estão, neste contexto, intimamente ligados. Ao longo do ano, o Sol parece situar-se em diferentes zonas do zodíaco. A sua posição altera-se diariamente em cerca de um grau. Após cerca de 365 dias, parece ter percorrido todo o círculo. O relógio reproduz esta lenta alteração através do seu mecanismo de engrenagens.

Para as pessoas do Renascimento, este fenómeno reveste-se de especial importância. A trajetória do Sol determinava as estações do ano e influenciava inúmeros aspetos da vida quotidiana.

6. A Terra no centro – a visão do mundo na Renascença

No centro do relógio astronómico encontra-se a Terra. Não é por acaso. Quando o relógio foi inaugurado em 1499, a visão geocêntrica do mundo ainda predominava na Europa. De acordo com esta visão do mundo, a Terra permanecia imóvel no centro do universo. O Sol, a Lua, os planetas e as estrelas fixas moviam-se à sua volta. Este modelo, que deve o seu nome ao astrónomo da Antiguidade Cláudio Ptolomeu, é conhecido como visão do mundo ptolomaica designado.

Só em 1543, ou seja, 44 anos após a inauguração do relógio, foi publicada a famosa obra de Nicolau Copérnico, na qual ele apresentou matematicamente a visão heliocêntrica do mundo. Segundo essa teoria, não é a Terra, mas sim o Sol que ocupa o centro do nosso sistema solar. O relógio astronómico de Veneza é, por isso, também um documento impressionante da história da ciência. Mostra como as pessoas, no final do século XV, imaginavam a ordem do céu.

No entanto, é necessário distinguir entre a visão histórica do mundo e a representação prática: ainda hoje, os astrónomos descrevem frequentemente as posições aparentes do Sol e da Lua a partir da perspetiva de um observador na Terra. Uma representação geocêntrica não é, portanto, automaticamente errada do ponto de vista astronómico.

7. O indicador lunar – uma pequena esfera com grande significado

Na parte interior do mostrador, ao lado da Terra, encontra-se uma representação da Lua. A Lua é representada como uma pequena esfera cujas superfícies apresentam cores diferentes. Metade está dourada, a outra metade é escura. A esfera pode rodar em torno do seu próprio eixo. Desta forma, o observador vê ora a metade clara, ora a metade escura.

É assim que são representadas as diferentes fases da Lua. Ao longo de um mês lunar, a imagem visível varia desde a Lua Nova, passando pela Lua Crescente, até à Lua Cheia e, posteriormente, pela Lua Minguante, voltando novamente à Lua Nova. Um ciclo completo das fases da Lua dura, em média, cerca de 29,53 dias.

Este período é designado por mês sinódico. Assim, o relógio astronómico não só indica a posição da Lua, como também a forma como esta aparece iluminada vista da Terra.

8. Por que razão as fases da Lua eram particularmente importantes para Veneza?

Para uma cidade como Veneza, a observação da Lua revestia-se de particular interesse. Durante séculos, Veneza foi uma importante potência do comércio marítimo. A navegação, as atividades portuárias, a pesca e as condições na lagoa desempenhavam um papel económico central. A Lua, juntamente com o Sol, influencia as marés. Na Lua Nova e na Lua Cheia, podem ocorrer diferenças particularmente grandes entre a maré alta e a maré baixa. Estas são designadas por marés de salto. Na Lua Crescente, pelo contrário, as diferenças nas marés são frequentemente menores.

No entanto, as fases da Lua, por si só, não são suficientes para prever o nível real da água em Veneza. O vento, a pressão atmosférica e outras condições meteorológicas podem influenciar significativamente o nível da água. O indicador lunar era, assim, um sinal visível do conhecimento astronómico, que tinha também uma aplicação prática na vida dos marinheiros.

9. Qual é a relação entre o Sol, a Lua e o zodíaco?

Uma característica particularmente interessante do mostrador é a interação entre os diferentes movimentos. O Sol move-se lentamente ao longo do ciclo anual, em relação ao zodíaco. A Lua move-se muito mais rapidamente ao longo da sua órbita em torno da Terra. Desta forma, a posição relativa do Sol, da Lua e da Terra muda constantemente. É precisamente daí que resultam as fases da Lua.

Na Lua Nova, o Sol e a Lua encontram-se, vistos da Terra, aproximadamente na mesma direção. Na Lua Cheia, estão aproximadamente um em frente ao outro no céu. O relógio astronómico reproduz estas relações através de movimentos mecânicos. Assim, não é simplesmente um relógio com vários indicadores decorativos, mas sim um modelo mecânico de fenómenos astronómicos.

10. Por que é que o mostrador é azul e dourado?

As cores do mostrador são uma das suas características mais marcantes. Os anéis móveis são feitos de madeira revestida com chapas de cobre esmaltadas em azul intenso. As estrelas, as figuras e os signos do zodíaco são em cobre repujado e dourado. O azul intenso lembra a abóbada celeste, enquanto as estrelas e os corpos celestes dourados criam um forte contraste.

A paleta de cores não tem, portanto, apenas um efeito decorativo. Ela reforça a mensagem astronómica de todo o mostrador. Ao mesmo tempo, estabelece uma ligação visual entre o relógio e o Leão de São Marcos situado acima, perante o seu fundo igualmente azul e adornado com estrelas. O azul e o dourado constituem, assim, um motivo recorrente no design da fachada da torre.

11. O relógio original era ainda muito mais complexo

O que os visitantes vêem hoje na Praça de São Marcos é, na verdade, uma versão simplificada do relógio astronómico original. Quando foi inaugurado, em 1499, mostrava também os movimentos dos cinco planetas conhecidos na época:

  • Mercúrio
  • Vénus
  • Marte
  • Júpiter
  • Saturno

Cada um desses planetas possuía um anel móvel próprio e um mecanismo associado. Juntamente com o Sol e a Lua, criava-se assim uma representação extraordinariamente complexa do sistema planetário da época. O relógio original dispunha de oito zonas concêntricas móveis. Os cinco anéis planetários foram posteriormente removidos.

Na grande reformulação levada a cabo por Bartolomeo Ferracina entre 1753 e 1759, o mostrador foi consideravelmente simplificado. Desde então, o mostrador astronómico concentra-se na hora, na posição do Sol no zodíaco, bem como no movimento e nas fases da Lua. O relógio atual é, portanto, uma obra de arte histórica que reúne avanços técnicos de vários séculos.

12. Como funciona o relógio astronómico?

Por trás do magnífico mostrador esconde-se um grande mecanismo mecânico. A energia provém de pesos pesados, ligados através de correntes a tambores e rodas dentadas. À medida que os pesos descem lentamente, a energia potencial armazenada é convertida em movimento mecânico. O sistema de engrenagens transmite esse movimento aos diversos indicadores. Para tal, é necessário gerar diferentes relações de transmissão.

O ponteiro das horas deve dar uma volta completa no espaço de um dia. Por outro lado, a posição do Sol em relação ao zodíaco altera-se apenas lentamente ao longo de um ano. Já o indicador lunar requer movimentos próprios para a posição da Lua e as fases lunares. Estas diferentes velocidades resultam de combinações de engrenagens cuidadosamente calculadas.

Um pêndulo e um mecanismo de escape garantem que a energia não seja libertada de forma descontrolada, mas que o relógio funcione de forma regular. O sistema básico que funciona atualmente deve-se, em grande parte, à reformulação realizada por Bartolomeo Ferracina no século XVIII.

13. Um pormenor técnico: 264 dentes para uma volta por dia

Um exemplo particularmente bonito da construção mecânica é a transmissão ao ponteiro solar. Uma roda dentada com 22 dentes efetua doze rotações ao longo de um dia. Desta forma, faz avançar um total de 264 dentes. A grande roda associada possui exatamente esses 264 dentes.

O cálculo é o seguinte: 22 × 12 = 264

Assim, a roda grande dá exatamente uma volta num dia. Desta forma, é possível deduzir o movimento diário do ponteiro das horas a partir do mecanismo de acionamento. O exemplo mostra como os relojoeiros conseguiam criar movimentos complexos a partir de relações matemáticas simples.

14. Por que é que este relógio causou sensação em 1499?

No final do século XV, a construção de um relógio astronómico deste tipo representava um desafio técnico extraordinário. Os relojoeiros não tinham apenas de construir um mecanismo fiável para a medição do tempo. Tinham ainda de calcular vários movimentos astronómicos e representá-los através de engrenagens mecânicas. A isto acresciam as grandes dimensões do mostrador, os pesados componentes móveis e os requisitos para um relógio público que funcionasse de forma contínua.

A construção exigia conhecimentos de matemática, astronomia, metalurgia e mecânica de precisão. Para a República de Veneza, o relógio era, por isso, também um símbolo visível ao público da sua força económica, do seu interesse científico e da sua capacidade técnica. Quem se encontrasse na Praça de São Marcos em 1499 podia admirar ali uma das conquistas técnicas mais notáveis da sua época.

15. Um relógio astronómico que ainda hoje fascina

Mais de cinco séculos após a sua inauguração, o relógio astronómico de Veneza continua a atrair olhares. Muitos visitantes admiram sobretudo as suas cores, as figuras douradas e o magnífico mostrador. No entanto, quem se debruçar mais sobre o seu funcionamento descobre muito mais.

O relógio combina a medição diária do tempo com o ciclo anual do Sol, as fases da Lua e a visão histórica do mundo da Renascença. É, ao mesmo tempo, uma obra de arte, um indicador astronómico e um testemunho de séculos de arte relojoeira.

O relógio astronómico de Veneza não se limita a indicar as horas. Conta a história de como, ao longo dos séculos, os homens têm tentado compreender e tornar visíveis os movimentos do céu.

O grande portão de entrada da torre do relógio
Da Praça de São Marcos ao mundo do comércio de Veneza

Na base da Torre do Relógio de Veneza encontra-se um grande arco de entrada, de design magnífico. Através dele, os visitantes acedem diretamente da Praça de São Marcos à Merceria do Relógio, o início de uma das ruas comerciais mais tradicionais de Veneza. No entanto, o arco é muito mais do que uma passagem prática. Já na altura da construção da Torre do Relógio, no final do século XV, era um elemento arquitetónico deliberadamente planeado.

Um arco do triunfo para a República de Veneza

A entrada foi concebida seguindo o modelo de um arco de triunfo romano. Pilares robustos, colunas salientes, revestimentos de mármore preciosos e elementos redondos decorativos conferem-lhe um aspeto monumental. A arquitetura renascentista inspirou-se fortemente nas formas da Antiguidade grega e romana. Também a torre do relógio retoma esta linguagem formal.

No entanto, o Arco do Triunfo não se destinava a celebrar uma vitória militar. Pelo contrário, exibia a força económica, a prosperidade e a autoconfiança da República de Veneza. Quem entrasse na Praça de São Marcos deveria perceber que se encontrava numa metrópole comercial poderosa e próspera.

Por que é que a torre do relógio foi construída precisamente aqui?

A decisão de construir um novo relógio público foi tomada já em 1493. No entanto, inicialmente ainda não estava definitivamente definido em que local deveria ser erguido. Só em 1495 é que se decidiu instalar o novo relógio sobre a entrada das Mercerie. A 10 de junho de 1496, tiveram início os trabalhos de demolição das casas existentes, a fim de criar espaço para a nova construção.

No 1 de fevereiro de 1499 O novo relógio foi apresentado solenemente. Assim, neste local, surgiu não só uma torre do relógio, mas também um portão representativo da cidade.

A Mercerie – a rua comercial histórica de Veneza

Por trás do arco começa a Merceria dell’Orologio. Faz parte das famosas Mercerie, uma sucessão de ruas comerciais estreitas que ligam a Praça de São Marcos à zona em redor da Ponte de Rialto. Já na Idade Média, esta zona constituía uma das principais rotas comerciais da cidade. Aqui encontravam-se inúmeras lojas, oficinas e espaços de venda. Os comerciantes ofereciam, entre outros produtos, tecidos, vestuário, joalharia e outros artigos.

O nome Merceria deriva da palavra italiana para «mercadorias» ou «artigos comerciais». Enquanto na Praça de São Marcos se concentravam as principais instituições políticas e religiosas de Veneza, em torno de Rialto desenvolveu-se um dos mais importantes centros comerciais e financeiros da Europa. A Torre do Relógio marcava, assim, a transição entre duas zonas centrais da cidade.

Um portão com duas perspetivas completamente diferentes

Quem passa pelo arco vindo da Praça de São Marcos chega às ruas comerciais, relativamente estreitas e animadas. Por outro lado, quem vem das Mercerie em direção à Torre do Relógio tem uma impressão completamente diferente. Ao passar pelo arco, a ampla Praça de São Marcos abre-se de repente. Este contraste foi intencional do ponto de vista arquitetónico.

A descrição oficial dos museus municipais de Veneza refere-se à torre como um elemento de ligação deliberado entre a representativa Praça de São Marcos e o mundo do comércio. A passagem é, assim, simultaneamente uma fronteira e uma ligação.

Por que é que o grande relógio está por cima da entrada?

A colocação do relógio astronómico neste local foi também uma decisão deliberada. O relógio deveria ser visível para o maior número possível de pessoas. A Praça de São Marcos era um dos espaços públicos mais importantes de Veneza. Era aqui que se reuniam comerciantes, cidadãos, dignitários e visitantes de inúmeros países. O grande relógio astronómico não só indicava as horas, como também demonstrava o nível técnico e científico da República. O seu impacto era particularmente impressionante para os visitantes que chegavam a Veneza pelo mar e se aproximavam da Praça de São Marcos.

A torre do relógio era um dos símbolos da cidade, visível de longe.

O arco e a arquitetura original

Quando a Torre do Relógio foi concluída, em 1499, os seus arredores tinham ainda um aspeto diferente do atual. As duas alas laterais do edifício só surgiram nos anos seguintes. Também as vizinhas «Alte Prokuratien» foram posteriormente submetidas a uma remodelação profunda. Por isso, inicialmente, a Torre do Relógio erguia-se de forma muito mais isolada e apresentava-se com maior impacto enquanto monumento autónomo. Só gradualmente foi-se formando o conjunto arquitetónico que hoje nos parece tão harmonioso. Esta é uma particularidade importante: a Torre do Relógio não foi simplesmente inserida na fachada atual. Pelo contrário, foi a arquitetura do seu entorno que se foi alterando ao longo das décadas seguintes.

Uma entrada utilizada diariamente por milhares de pessoas

Hoje em dia, o arco é uma das passagens mais conhecidas de Veneza. Inúmeros visitantes passam por aqui, indo da Praça de São Marcos em direção ao Rialto ou vindo das Mercerie para a praça. Muitos admiram o magnífico relógio astronómico, a Madona, o Leão de São Marcos e os dois mouros. No entanto, poucos se lembram de que o próprio arco é também um importante monumento arquitetónico.

Há mais de 500 anos que liga o centro representativo de Veneza a uma das suas mais importantes rotas comerciais históricas.

E, assim, continua até hoje a cumprir exatamente a função para a qual foi criado no final do século XV.

Visitar o interior da Torre do Relógio de Veneza
EUma viagem por 500 anos de arte relojoeira

A Torre do Relógio na Praça de São Marcos, em Veneza. A visita

A famosa torre do relógio na Praça de São Marcos não se admira apenas do exterior. Numa visita guiada, os visitantes podem também explorar o seu interior e, assim, conhecer a fascinante mecânica do relógio histórico.

Esta visita guiada é particularmente interessante para quem se interessa por tecnologia, astronomia, história e pela arquitetura de Veneza. O percurso atravessa cinco andares até chegar ao terraço dos Dois Mouros.

Onde fica a entrada da Torre do Relógio?

A entrada situa-se no grande arco que liga a Praça de São Marcos à Mercerie, do lado esquerdo. No entanto, não é possível entrar simplesmente assim, de improviso. A Torre do Relógio só é acessível no âmbito de uma visita guiada previamente reservada. Os visitantes são guiados por um guia especializado pelas salas históricas. O ponto de encontro não é diretamente junto à torre, mas sim na bilheteira do Museo Correr, na Praça de São Marcos.

O que se vê durante a visita guiada?

A visita guiada é uma viagem de descoberta pela história da tecnologia de Veneza.

1.º andar – A história da torre do relógio

Depois de subir os primeiros degraus de pedra, chega-se a uma pequena sala onde são explicadas a origem e a evolução da torre. Já aqui é possível ver partes do mecanismo. Entre elas estão os grandes pesos e contrapesos que se movem lentamente para cima e para baixo no interior da torre.

2.º andar – O grande mecanismo de relógio mecânico

Através de uma escada em espiral metálica chega-se ao verdadeiro coração da torre: o mecanismo histórico do relógio. Aqui é possível observar de perto as inúmeras rodas dentadas, eixos e ligações mecânicas. O mecanismo do relógio não controla apenas a indicação das horas, mas também as representações astronómicas, os visores numéricos e os badores do sino. Esta parte da visita guiada é particularmente impressionante, sobretudo para os visitantes interessados em tecnologia.

3.º andar – Os Três Reis Magos e o painel digital

Na secção seguinte encontram-se as figuras de madeira dos Três Reis Magos e do Anjo. Estas figuras fazem parte de um espetáculo mecânico que tem lugar em dois dias festivos especiais. No Dia dos Três Reis e na Ascensão, elas desfilam perante a Madona com o Menino Jesus. Além disso, é possível observar aqui o mecanismo dos dois grandes tambores numéricos que indicam as horas e os minutos no exterior da torre.

4.º andar – Elementos arquitetónicos históricos do século XV

Uma outra escadaria conduz a uma sala onde se encontram guardadas partes preservadas do mecanismo original do relógio, datado da Renascença. Aqui fica evidente como a tecnologia evoluiu ao longo de mais de cinco séculos. A partir deste piso, chega-se também aos dois terraços laterais da torre do relógio.

5.º andar – O terraço dos dois mouros

A última subida passa por uma escadaria em espiral particularmente íngreme e estreita até ao terraço mais alto. Ali encontram-se as duas famosas estátuas de bronze que, com os seus martelos, marcam as horas no grande sino. A partir daqui, é possível observar as enormes estátuas de muito perto. Ao mesmo tempo, abre-se uma vista extraordinária sobre os telhados de Veneza, a Praça de São Marcos e a lagoa. Esta vista constitui o ponto alto da visita.

Quanto tempo dura a visita guiada?

Para a visita, deve-se contar com cerca de uma hora Tenha isso em conta. Uma vez que os espaços interiores são estreitos e as escadas, em alguns casos, muito íngremes, a visita só pode ser realizada com um guia especializado.

A visita é adequada para todos?

Infelizmente, não. A Torre do Relógio é um edifício histórico cujos espaços interiores não foram concebidos para receber o fluxo de visitantes atual. As escadas são, em alguns pontos, estreitas, íngremes e sinuosas. A visita não é acessível a pessoas com dificuldades de locomoção significativas. Também as pessoas que sofrem de forte medo de alturas, claustrofobia ou determinadas doenças cardíacas e respiratórias devem abster-se de participar. As crianças só podem participar a partir dos seis anos de idade.

Por que vale a pena fazer a visita guiada?

A Torre do Relógio na Praça de São Marcos, em Veneza: a vista

Do exterior, a torre do relógio impressiona com o seu magnífico mostrador astronómico, o Leão de São Marcos e os dois mouros. No entanto, só no interior é que se percebe a proeza técnica que se esconde por trás destes indicadores. Aqui torna-se visível como as rodas dentadas, os pesos, os eixos e os sistemas de controlo mecânicos funcionam em conjunto. A visita guiada proporciona, assim, uma visão rara da história da tecnologia do Renascimento e dos séculos seguintes.

Quem quiser conhecer Veneza não só como uma cidade de igrejas, palácios e canais, mas também se interessar pelas suas conquistas técnicas, encontrará aqui um local de visita extraordinário.

Preços dos bilhetes e informações práticas

ENTRADA NORMAL 15,00 €

COM DESCONTO 11,00 €

Duração da visitaCerca de 60 minutos
Idiomas de gestãoItaliano, Inglês, Francês
Idade mínima6 anos
ReservaObrigatório
Ponto de encontroBilheteira do Museu Correr

Data: 15 de outubro de 2026. Preços e condições conforme o site oficial do museu.

O relógio na parte de trás da torre do relógio – por que razão há um segundo relógio?

A torre do relógio na Praça de São Marcos, em Veneza; o relógio na parte de trás

Quem, partindo da Praça de São Marcos, atravessa o grande arco da Torre do Relógio para entrar na Mercerie e, em seguida, se vira, descobre uma surpresa. Também na parte de trás da torre do relógio há um relógio grande. O seu design é consideravelmente mais simples do que o do famoso relógio astronómico na parte da frente. No entanto, apresenta algumas características notáveis.

Por que é que a torre do relógio tem também um relógio na parte de trás?

A explicação está relacionada com a localização especial da torre. À sua frente encontra-se a Praça de São Marcos, o centro político e religioso da antiga República de Veneza. Nas suas traseiras começam as Mercerie, as ruas comerciais históricas que se estendem em direção à Ponte de Rialto.

Aqui trabalhavam e exerciam a sua atividade comerciantes, artesãos e empresários. Para eles, um relógio público bem visível era tão útil como para as pessoas na Praça de São Marcos. Por isso, a torre do relógio recebeu dois mostradores logo na sua construção, no final do século XV.

Enquanto o elaborado relógio astronómico está virado para a Praça de São Marcos, no lado da Merceria encontra-se um relógio mais simples, que indica apenas as horas.

Por que é que o relógio tem 24 horas em vez de doze?

Isto parece invulgar aos visitantes de hoje. Afinal, a maioria dos relógios analógicos tem apenas doze marcações horárias. Na Itália do final da Idade Média e do Renascimento, porém, os relógios com mostradores de 24 horas não eram, de forma alguma, invulgares. Naquela época, a chamada Cálculo por hora à italiana (Ore Italiane) difundido. Nesse sistema, as horas eram contadas num ciclo de 1 a 24, baseado no pôr-do-sol.

O início do novo dia não era, portanto, à meia-noite, como acontece hoje. Uma vez que a hora do pôr-do-sol varia ao longo do ano, um relógio que funcionasse segundo este sistema tinha de ser ajustado regularmente. Também o relógio astronómico original na parte da frente utilizava este sistema histórico.

No entanto, não se deve equiparar a indicação atual à forma original de medição do tempo. O mecanismo do relógio foi alterado várias vezes ao longo dos séculos e adaptado à medição moderna do tempo.

Um mostrador com estrelas douradas

Também o relógio traseiro é uma obra de arte notável. O seu anel exterior é de mármore e apresenta os números romanos das horas, de I a XXIV. A superfície interior está decorada com um mosaico azul-escuro, no qual estão dispostas inúmeras estrelas douradas. À sua frente, move-se um grande ponteiro solar dourado. O disco solar, com os seus raios em forma de chamas, tem um diâmetro de cerca de 1,70 metros.

No seu centro encontra-se um rosto com um diâmetro de cerca de 70 centímetros. No centro do mostrador encontra-se ainda um leão de São Marcos em cobre, que antigamente era dourado. Este pequeno leão cumpre até uma função técnica: oculta a base do eixo através do qual o movimento do mecanismo do relógio é transmitido aos ponteiros.

Por que é que este relógio também mostra o sol?

Desde a Antiguidade que o Sol tem sido um dos símbolos mais importantes do tempo. O seu percurso aparente diário pelo céu determina a alternância entre o dia e a noite. Por isso, o Sol aparece em inúmeros relógios históricos como ponteiro ou elemento central do design. Na parte de trás da torre do relógio veneziana, o sol une a indicação prática das horas a uma representação artística do céu. O fundo azul estrelado retoma, ao mesmo tempo, a paleta de cores do relógio astronómico na parte da frente.

O relógio que se encontra na parte de trás tem a mesma idade que o relógio astronómico?

O indicador de horas na parte traseira já fazia parte do conceito original da torre do relógio de 1499. No entanto, o seu aspeto atual é o resultado de várias alterações. No século XVIII, o fundo, originalmente esmaltado de azul, foi substituído por um mosaico. Também o mecanismo do relógio foi reformulado várias vezes.

O relógio traseiro é, assim, mais um exemplo de como a tecnologia histórica e o design artístico evoluíram ao longo de mais de cinco séculos.

Um relógio para os comerciantes e outro para a Praça de São Marcos

Os dois mostradores ilustram a dupla função da torre do relógio. Do lado da Praça de São Marcos, o elaborado relógio astronómico apresenta-se como um símbolo da ciência, da arte e da mestria técnica. Do lado da Mercerie, um relógio consideravelmente mais simples indica as horas às pessoas.

Dois relógios, duas funções diferentes – e, no entanto, ambos fazem parte de uma única obra-prima da mecânica.

Porque é que a torre do relógio de Veneza não se parece nada com uma torre?

A torre do relógio na Praça de São Marcos, em Veneza, não é uma torre isolada

Quem estiver na Praça de São Marcos e observar a famosa Torre do Relógio repara numa particularidade arquitetónica. Ao contrário do Campanile da Basílica de São Marcos, que tem quase 99 metros de altura e se ergue isolado, a Torre do Relógio de Veneza está rodeada por edifícios em ambos os lados. Parece estar literalmente integrada na longa fachada de edifícios do lado norte da Praça de São Marcos.

À primeira vista, parece, por isso, mais uma parte da fachada com um design particularmente sumptuoso do que uma torre independente.

No entanto, essa impressão é enganadora.

Inicialmente, a torre do relógio estava situada numa localização muito mais aberta

Quando a Torre do Relógio foi construída, entre 1496 e 1499, o lado norte da Praça de São Marcos ainda apresentava uma configuração diferente da atual. Para criar espaço para a torre, foi necessário demolir vários edifícios mais antigos. A nova torre surgiu como uma obra monumental e independente, situada sobre a entrada das Mercerie.

A sua largura invulgar e a magnífica fachada renascentista já o distinguiam, naquela altura, das torres de sino estreitas e altíssimas de muitas cidades italianas. Não se destinava apenas a exibir um relógio, mas também a servir de entrada representativa para o bairro comercial.

Os edifícios laterais só foram acrescentados mais tarde

Após a conclusão da torre do relógio, foram erguidas alas adicionais em ambos os lados. Estas começaram a ser construídas a partir de 1500 e foram concluídas nos anos seguintes. As alas laterais apresentavam uma arquitetura que se inspirava deliberadamente na torre central do relógio.

Isso criou um efeito de fachada coeso. No século XVIII, as alas laterais foram novamente alteradas e ampliadas. Foi assim que se foi desenvolvendo, gradualmente, o aspeto que conhecemos hoje.

As Antigas Procuradorias – uma imponente fachada de edifícios

A Torre do Relógio na Praça de São Marcos, em Veneza

Mesmo ao lado da torre do relógio estendem-se as Procuratie Vecchie, as Antigas Procuradorias. Este edifício alongado, com as suas arcadas características, constitui o lado norte da Praça de São Marcos. Aqui ficavam os gabinetes e as residências dos procuradores de São Marcos, que se contavam entre os mais altos dignitários da República de Veneza.

A fachada renascentista das Antigas Procuradorias, hoje visível, foi construída principalmente no século XVI. Apresenta várias fileiras superpostas de arcos e janelas, que conferem à Praça de São Marcos o seu aspeto arquitetónico característico. A Torre do Relógio constitui um remate particularmente marcante na extremidade oriental desta longa fachada.

Porque é que a torre do relógio não foi construída de forma independente, tal como o Campanile?

O Campanile e a Torre do Relógio tiveram, desde o início, funções diferentes. O Campanile era a torre do sino da Basílica de São Marcos. A sua enorme altura tornava-o um ponto de referência visível de longe, especialmente para a navegação. A Torre do Relógio, por outro lado, destinava-se a albergar um grande relógio público e, ao mesmo tempo, a destacar a entrada das Mercerie.

A sua localização sobre a passagem não era, portanto, por acaso. Aqui, ligava a Praça de São Marcos às principais rotas comerciais da cidade. O relógio astronómico devia, acima de tudo, poder ser bem visto pelas pessoas que se encontravam na Praça de São Marcos. Para estas funções, um edifício amplo e monumental, com uma grande fachada de exibição, era particularmente adequado.

Uma torre que é, ao mesmo tempo, um portão da cidade

A Torre do Relógio de Veneza é, por isso, uma combinação invulgar de vários estilos arquitetónicos. É uma torre do relógio porque alberga o grande relógio astronómico e o sino com os dois mouros. É um portão monumental da cidade, porque a passagem pública por baixo dela liga duas zonas importantes de Veneza. E é uma obra renascentista cuja magnífica fachada foi deliberadamente integrada no desenho arquitetónico da Praça de São Marcos. É precisamente esta combinação que a torna tão extraordinária.

Só a partir da perspetiva correta é que se percebe a sua autonomia

Quem observa a Torre do Relógio apenas de frente, a partir da Praça de São Marcos, vê sobretudo a fachada ricamente decorada. Só quando se olha de lado ou para a parte de trás é que se torna mais evidente que, por trás dessa fachada, se esconde um edifício independente com vários andares, escadas, salas técnicas e um grande mecanismo de relógio.

A Torre do Relógio não é, portanto, apenas uma parte da fachada do edifício. É um edifício histórico independente, em torno do qual a arquitetura da Praça de São Marcos se desenvolveu ao longo dos séculos.

E é precisamente isso que a torna uma das torres do relógio mais invulgares da Europa. A história da sua construção é particularmente importante: as duas alas laterais da torre do relógio foram construídas já no início do século XVI. Foram posteriormente alteradas, sobretudo no século XVIII. A sua integração atual na fachada norte da Praça de São Marcos é, assim, o resultado de várias fases de construção.


Bernd e Christoph — Os guias de Veneza no site Venedig.com

Este artigo foi elaborado por „Bernd e Christoph – Os Guias de Veneza“ para o Venedig.com com base nas suas próprias visitas, fotografias, gravações de vídeo e fontes históricas. A IA foi utilizada como apoio na pesquisa e na elaboração editorial. A responsabilidade editorial é do Venedig.com.


Consentimento de cookies com o Real Cookie Banner